IA vai consumir mais de 3 trilhões de dólares em 2027 e especialistas ainda discordam se AGI chega antes disso

Em abril de 2025, um grupo de pesquisadores e especialistas em previsão publicou o projeto AI 2027, documento que tentou fazer algo que a maioria das análises sobre IA evita: previsões concretas, com datas, mecanismos e métricas verificáveis sobre o que aconteceria ao longo de 2025, 2026 e 2027. Um ano depois, revisão publicada pelo pesquisador Matt Hopkins concluiu que o documento acertou a direção, agentes chegando, codificação automatizada avançando, corrida de investimento em infraestrutura continuando, mas errou o ritmo: o progresso real correu entre 58% e 66% da velocidade que o cenário original projetava. É um dado que vale guardar como referência para qualquer previsão sobre 2027.

O número mais concreto disponível hoje sobre IA em 2027 é financeiro. O investimento mundial em IA atingiu 2,52 trilhões de dólares em 2026, crescimento de 44% em relação ao ano anterior, com infraestrutura respondendo por 54% do total, segundo dados do IDC e Gartner compilados pela Barchart. O Gartner projeta que esse valor ultrapasse 3 trilhões de dólares em 2027. A escala do investimento não garante que os resultados cheguem no prazo, mas indica que as principais empresas e governos do mundo estão apostando que chegarão.

A categoria que concentra mais projeções específicas para 2027 é a de agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma e encadear ações sem intervenção humana em cada etapa. Segundo o Gartner, o investimento em IA agentic vai superar o investimento em chatbots e assistentes convencionais já em 2027. A IDC projeta que o número de agentes em operação nas mil maiores empresas globais crescerá dez vezes até 2027, com chamadas de API crescendo mil vezes no mesmo período. Para colocar em contexto: menos de 5% das aplicações corporativas tinham algum agente integrado em 2025. O Gartner estima que esse número chegará a 40% até o final de 2026. O mesmo Gartner também projeta que mais de 40% dos projetos de IA agentic serão cancelados até o final de 2027 por custo elevado, valor de negócio indefinido ou controles de risco insuficientes, segundo análise da Unicoconnect com base nos dados do Gartner. Crescimento acelerado e taxa de fracasso alta podem coexistir, e os dados de 2026 indicam que estão coexistindo.

No debate sobre AGI, o que mais chama atenção não são as previsões individuais, mas a divergência entre especialistas que trabalham lado a lado. Dario Amodei, CEO da Anthropic, declarou em recomendação oficial ao governo americano em março de 2025 esperar sistemas de IA com capacidades intelectuais correspondendo ou superando laureados com o Nobel na maioria das disciplinas até o final de 2026 ou início de 2027. Demis Hassabis, fundador do DeepMind, manteve estimativa de 50% de chance de AGI até 2030. Sam Altman, CEO da OpenAI, mencionou 2035. A plataforma Polymarket, em previsões de julho de 2026, atribuía 10% de probabilidade de a OpenAI atingir AGI até 2027. São quatro dos profissionais mais bem informados do mundo sobre o tema chegando a respostas radicalmente diferentes à mesma pergunta.

Para quem trabalha com tecnologia no dia a dia, o que 2027 concretamente indica é uma aceleração no uso de agentes em fluxos de trabalho profissionais, com McKinsey projetando que entre 2,4 e 3,1 horas de trabalho diário por profissional serão automatizadas por agentes até 2028, segundo análise da Bananalabs com base nos dados da McKinsey. O impacto não virá de uma tecnologia nova que substituirá o que existe. Virá da expansão do que o Radar Tech já documentou nos artigos sobre como usar IA para ganhar produtividade no trabalho e sobre como aprender inteligência artificial do zero: as ferramentas que já existem ficando mais autônomas, mais integradas e mais presentes em funções que hoje ainda dependem de decisão humana em cada etapa.


Sobre a autora

Camila Domingues é publicitária e pesquisadora de tendências digitais. No Radar Tech, escreve sobre inteligência artificial, marketing e tecnologia com foco em aplicações práticas para quem vive e trabalha no mundo digital.


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