Em outubro de 2025, a OpenAI concluiu uma reestruturação corporativa que encerrou seu modelo original de organização sem fins lucrativos com cap de lucro. A empresa passou a operar como OpenAI Group PBC, uma Public Benefit Corporation, mantendo a OpenAI Foundation como acionista com participação significativa, mas abrindo caminho para captação de capital em escala que o modelo anterior não permitia. A mudança foi a preparação para o que viria nos meses seguintes.
Em março de 2026, a OpenAI fechou uma rodada de investimentos de 122 bilhões de dólares liderada pelo SoftBank, com participação de Andreessen Horowitz, D.E. Shaw, Nvidia e Amazon, segundo a Forbes, atingindo uma avaliação de 852 bilhões de dólares. Em junho de 2026, a empresa protocolou confidencialmente um S-1, documento inicial de abertura de capital, na SEC americana, segundo o Bloomberg. O IPO está sendo planejado para 2027, com Sam Altman declarando publicamente que qualquer avaliação abaixo de 1 trilhão de dólares seria inaceitável para a empresa, segundo o New York Times.
Os números de receita sustentam parte desse argumento. A OpenAI encerrou 2025 com mais de 20 bilhões de dólares em receita recorrente anual, partindo de aproximadamente 6 bilhões em 2024 e 2 bilhões em 2023, segundo dados internos reportados pela Bloomberg e pela Forbes. No início de 2026, a taxa de crescimento havia acelerado para cerca de 2 bilhões de dólares por mês, projetando uma receita anual de aproximadamente 24 bilhões de dólares para o ano. Para efeito de comparação, a empresa levou cinco anos para chegar a 6 bilhões e menos de um para triplicar esse valor.
O lado que complica a narrativa é o custo. A OpenAI registrou prejuízo líquido de 38,5 bilhões de dólares em 2025 e prejuízo de 8,5 bilhões de dólares só no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados da Pitchbook, a empresa gasta 2,20 dólares para cada 1 dólar que arrecada, taxa de consumo de caixa impulsionada por centenas de bilhões em investimento em infraestrutura de data centers. A projeção de consumo de caixa é de aproximadamente 27 bilhões de dólares em 2026 e 63 bilhões em 2027, segundo reporting baseado em documentos internos citados pela Forbes. Um IPO entregaria acesso a capital público de forma mais eficiente e submeteria esses números à análise trimestral de investidores, o que explica parte da hesitação em acelerar a abertura de capital antes que a trajetória de rentabilidade seja mais clara. Yahoo FinanceForbes
A Microsoft permanece o maior parceiro estratégico com participação de aproximadamente 27% avaliada em 135 bilhões de dólares, e a OpenAI contratou a compra de 250 bilhões de dólares adicionais em serviços de infraestrutura Azure, segundo o protocolo na SEC. No mesmo período, a OpenAI propôs oferecer ao governo americano uma participação acionária de 5% como parte de um arranjo regulatório mais amplo, segundo o Bloomberg. O movimento evidencia que a empresa está construindo relações institucionais além do mercado privado antes de qualquer listagem pública.
Para profissionais que usam ChatGPT e ferramentas da OpenAI no trabalho, o que muda na prática é relevante: uma empresa com esse nível de capitalização e essa trajetória de crescimento tende a acelerar lançamentos de produto, expandir parcerias e aumentar pressão competitiva sobre rivais como Google, Anthropic e Meta. O Radar Tech abordou como esse cenário já afeta o dia a dia de quem trabalha com IA nos artigos sobre como aprender inteligência artificial do zero e sobre como usar IA para ganhar produtividade no trabalho: as ferramentas estão evoluindo mais rápido do que a maioria dos profissionais consegue acompanhar, e entender quem está construindo essa infraestrutura ajuda a antecipar para onde ela vai.
Sobre a autora
Camila Domingues é publicitária e pesquisadora de tendências digitais. No Radar Tech, escreve sobre inteligência artificial, marketing e tecnologia com foco em aplicações práticas para quem vive e trabalha no mundo digital.
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