Quanto mais tempo você passa numa plataforma, mais dado ela coleta sobre você, e mais preciso fica o anúncio vendido em cima desse dado, segundo análise publicada pelo Le Monde Diplomatique, a atenção virou a matéria-prima do negócio.
Esse modelo tem nome na literatura acadêmica: capitalismo de vigilância, termo cunhado pela pesquisadora Shoshana Zuboff. A ideia central é que experiências humanas, conversas, hábitos, preferências, viraram insumo bruto para um mercado de dados, conforme descrito em análise sobre o tema.
Zuboff também descreve o que chama de poder instrumentário: um projeto de mercado que usa tecnologia para moldar comportamento humano em escala, buscando previsibilidade de resposta, não apenas observação passiva, segundo pesquisa acadêmica sobre o tema.
Tristan Harris, cofundador do Center for Humane Technology, resume o processo com uma metáfora direta: "fracking humano", uma extração agressiva de atenção usando estímulo intermitente, recompensa variável e notificação calculada, segundo a mesma reportagem da InovaSocial.
O TikTok observa quanto tempo você assiste cada vídeo, quando pausa, quando repete, e ajusta o feed em tempo real com base nisso, segundo análise sobre o funcionamento das plataformas em 2025. Dois segundos de hesitação já bastam para o algoritmo recalibrar o que mostrar a seguir.
A Meta soma dados do Facebook e do Instagram para montar perfis detalhados de interesse, relacionamento e padrão de consumo de cada usuário. Streamings como Netflix usam o mesmo princípio para personalizar até a miniatura e o trailer que aparecem para cada pessoa.
Estima-se que a economia da atenção movimente a casa dos trilhões de dólares globalmente, com os Estados Unidos sozinhos respondendo por cerca de US$ 1,4 trilhão, segundo documento da UNEN citado pelo Le Monde Diplomatique.
Pesquisadores associam a captura de atenção em escala a normalização de discurso de ódio, polarização e erosão de confiança institucional, conforme a mesma análise. O dinheiro que sustentava jornalismo de qualidade também migrou para esse mercado, deixando o público com menos fonte confiável de informação.
É a mesma engrenagem que sustenta a publicidade contextual e o uso de cookies discutidos em outra frente do marketing digital, só que operando na escala mais ampla possível: cada segundo de atenção capturado financia diretamente o próximo segundo que a plataforma vai tentar capturar de você.