Em janeiro de 2026, a Forbes Brasil publicou um levantamento da Value Capital baseado em dados do Crunchbase e Pitchbook com um número que resume a transformação do ecossistema de tecnologia brasileiro na última década: o país passou de 352 startups dedicadas a soluções de IA em 2016 para 975 em 2025, crescimento de 177% em menos de dez anos, segundo dados da Forbes Brasil. No mesmo período, a Microsoft anunciou investimento de 2,1 bilhões de dólares no Brasil para expansão de infraestrutura de nuvem e IA até 2026, segundo comunicado oficial da empresa citado pela beAnalytic. O Google opera data centers na região com o Gemini disponível em português e parcerias confirmadas com Magazine Luiza e Itaú. A NVIDIA fornece hardware para os principais data centers e universidades brasileiras. O Brasil não está ausente da corrida global de IA. Está presente em condições assimétricas em relação aos países que lideram.
O governo federal lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028, com compromisso de investimento de mais de 23 bilhões de reais até 2028, voltado para pesquisa e desenvolvimento, capacitação de profissionais e aplicações em setores estratégicos como saúde, agricultura e segurança, segundo documentação oficial do plano citada pela Alura. Os gastos com IA no país devem ultrapassar 2,4 bilhões de dólares em 2025, crescimento de 30% em relação a 2024, segundo o IDC em matéria da Exame. No setor bancário, 84% dos bancos brasileiros classificam IA e IA generativa como prioridade tecnológica em 2026, empatados com cloud e atrás apenas de cibersegurança, com 100%, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 publicada pela Deloitte. O agronegócio brasileiro registrou, segundo estimativas de mercado compiladas pelo barômetro global de empregos em IA de 2025, crescimento de 600% nas vagas aumentadas por IA, refletindo o uso de sensoriamento remoto e automação na agricultura, dado que deve ser lido com cautela por vir de fonte de monitoramento de mercado sem metodologia primária publicada.
A tensão que os dados de adoção não mostram está na pesquisa Panorama 2026 da Amcham, publicada em julho de 2026, que identificou que IA é prioridade estratégica declarada das empresas brasileiras, mas investimento efetivo e maturidade de execução ainda são baixos, segundo o comunicado oficial da Amcham. É o mesmo padrão que o Plano Brasileiro de IA reconhece internamente: há estratégia nacional publicada, mas o gargalo real está na formação de capital humano especializado. A escassez de profissionais treinados em IA afeta tanto startups quanto grandes corporações e exige esforço coordenado entre universidades, setor privado e governo que não se resolve no ciclo de um plano quadrienal, segundo análise da Paraibaonline com base no cenário de 2025 e 2026.
O índice ILIA 2025, ranking de IA na América Latina, aponta que o Brasil tem condições de ganhar posições à medida que o PBIA sai do papel para a execução, mas deixa claro que países com estratégia nacional sem orçamento detalhado, plano de implementação e indicadores verificáveis transformam documentos em declarações sem tração real, segundo análise do consultor Alexandre Guimarães com base no índice. A diferença entre posição no ranking e impacto econômico real depende da mesma variável que o Radar Tech documentou no artigo sobre como aprender inteligência artificial do zero: profissionais que transformam conhecimento em resultado dentro das suas funções específicas, não apenas países com planos publicados. O Brasil tem escala de mercado, tem infraestrutura em construção e tem política declarada. O que ainda está sendo construído é a base humana que transforma esses três fatores em vantagem competitiva real.
Sobre a autora
Camila Domingues é publicitária e pesquisadora de tendências digitais. No Radar Tech, escreve sobre inteligência artificial, marketing e tecnologia com foco em aplicações práticas para quem vive e trabalha no mundo digital.
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