Marcas com brand equity alto cobram até 34% a mais no Brasil: força de marca ainda importa quando o consumidor compara tudo em segundos?

O Nubank lidera o ranking As Marcas Mais Valiosas do Brasil, promovido pelo InfoMoney em parceria com a TM20 Branding, com valor de marca estimado em R$ 214 bilhões, mais que o dobro do segundo colocado, o Itaú, segundo levantamento de 2025. Isso acontece no momento em que qualquer consumidor consegue comparar taxa, tarifa e condição de banco concorrente em poucos toques na tela.

Essa comparação deveria apagar diferença entre marca, deixando tudo reduzido a preço e especificação técnica lado a lado. O relatório Brand Finance Brazil 2025 aponta que empresas com brand equity consistentemente alto conseguem cobrar, em média, um prêmio de preço entre 18% e 23% acima de concorrentes com marca mais fraca no mesmo segmento, segundo a LAJE.

Outro levantamento sobre o mercado brasileiro em 2026 encontrou número ainda maior: marca com alto índice de brand equity pratica preço até 34% superior à média da categoria, sem perda relevante de participação de mercado, segundo o Global Brand Equity citado pela LAJE.

A Kantar BrandZ chega numa conclusão parecida analisando mais de 12 mil marcas globais em sua base de dados: as mais valiosas têm probabilidade maior de sustentar poder de precificação extra, mesmo em cenário de inflação e renda limitada, segundo análise da própria consultoria. A equação de compra na cabeça do consumidor carrega elemento intangível que planilha nenhuma capta sozinha, seja o valor simbólico de presentear alguém ou de afirmar autoestima através de uma escolha.

Quando custo por clique sobe de forma consistente em toda plataforma paga, algoritmo muda e o canal inteiro perde relevância da noite para o dia, sobra exatamente a preferência que foi construída antes dessa instabilidade acontecer, conforme resume a mesma análise da Contém Conteúdo. 

Esse mesmo mecanismo explica por que brand equity está virando proteção contra a volatilidade da infraestrutura que distribui o que a marca comunica. Quando o Google passa a resumir resposta antes do clique, a marca reconhecida continua recebendo busca direta pelo próprio nome. Quando a rede social ajusta alcance orgânico, quem já construiu comunidade genuína continua sendo procurado, o mesmo padrão de retenção que separa comunidade de campanha isolada.

A pesquisa Kantar BrandZ Brasil de 2025 fecha essa conta com um número difícil de ignorar: as marcas brasileiras mais valiosas cresceram, em média, 3,2 vezes mais rápido que o PIB nacional, mesmo em anos de corte orçamentário generalizado, segundo a mesma reportagem da LAJE. Comparação instantânea não eliminou o valor da marca forte, só ficou mais clara sobre o que essa força realmente compra: o direito de não competir só por preço quando todo o resto já está exposto lado a lado.