O que é doomscrolling e como ele afeta sua produtividade de formas que você não percebe

Doomscrolling é o hábito de rolar feed por longos períodos consumindo majoritariamente notícia ruim ou conteúdo alarmante, de forma compulsiva. O termo descreve navegação sem propósito definido, difícil de interromper mesmo quando a pessoa quer parar, segundo pesquisa publicada na revista Informação & Informação.

O estudo, conduzido com base em revisão de literatura nas bases Brapci, LILACS, Scopus e Web of Science, identifica que o comportamento é influenciado por fatores tecnológicos, contextuais e individuais combinados. 

O que a maioria não percebe é que o dano não fica restrito ao tempo gasto rolando a tela, ele continua depois que o celular já foi guardado, esse é o ponto que a ciência do comportamento no trabalho consegue explicar com precisão.

A professora Sophie Leroy, da Universidade de Washington, chamou esse fenômeno de resíduo de atenção. Quando você troca de tarefa antes de terminar a anterior, parte da sua atenção continua presa a ela, mesmo que você já esteja fazendo outra coisa, segundo o próprio site da pesquisadora.

Em seu estudo original de 2009, publicado na Organizational Behavior and Human Decision Processes, participantes que trocaram de tarefa com pendência em aberto tiveram desempenho 30% a 40% pior na atividade seguinte, comparado a quem fechou a tarefa anterior por completo, segundo análise da Calendar sobre a pesquisa.

Cada pausa rápida no feed abre uma nova tarefa mental, mistura de notícia, emoção e comparação social, sem nunca fechar de verdade, antes de você tentar voltar ao trabalho.

A pesquisadora Gloria Mark, da UC Irvine, encontrou que uma interrupção custa em média 23 minutos até a atenção voltar ao nível anterior de foco, segundo a mesma análise da Calendar, e o trabalhador médio hoje é interrompido a cada 11 minutos.

Fazendo a conta, isso significa que boa parte do dia de trabalho de quem faz pausas frequentes para o celular nunca chega a atingir foco pleno, conforme a mesma fonte.

A pesquisa brasileira sobre doomscrolling também associa o hábito a prejuízos físicos, sociais e psíquico-emocionais, não apenas cognitivos, segundo revisão publicada no ResearchGate.

A boa notícia da pesquisa de Leroy é que existe reversão parcial: fechar explicitamente uma tarefa antes de trocar de atividade, mesmo que de forma breve, reduz bastante o resíduo deixado para trás. O problema é que doomscrolling raramente tem esse fechamento, ele não termina, apenas é interrompido pela próxima notificação, e o ciclo recomeça.