Por que a NVIDIA está tentando levar a inteligência artificial para dentro dos PCs

Na Computex 2026, em Taipé, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, apresentou o RTX Spark, um novo "superchip" para PC desenvolvido em parceria com a Microsoft, segundo release oficial da própria Nvidia. A proposta é rodar inteligência artificial direto na máquina, sem depender da nuvem.

As especificações são robustas para um computador pessoal: até 1 petaflop de capacidade de IA e 128 GB de memória unificada, combinando CPU baseada em ARM com GPU Blackwell da própria Nvidia. O chip consegue rodar localmente modelos de linguagem de até 120 bilhões de parâmetros.

Máquinas com o RTX Spark chegam ao mercado neste outono, distribuídas por fabricantes como ASUS, Dell, HP, Lenovo, Microsoft Surface e MSI, segundo reportagem do TechCrunch. A Adobe já está reestruturando Photoshop e Premiere para tirar proveito do chip.

A Nvidia está mirando um mercado de CPU estimado em US$ 200 bilhões, historicamente dominado por outras fabricantes, segundo a mesma reportagem. Depender só de data center tem teto de crescimento.

Existem três razões práticas por trás da aposta em processamento local, segundo análise da PNN Digital

A primeira é privacidade: dado sensível não precisa trafegar por múltiplos servidores na nuvem, conforme a mesma fonte.

A segunda é latência, resposta mais rápida sem ida e volta até um data center distante. 

A terceira, e talvez a mais estratégica, é a mudança para IA agêntica: sistemas que executam tarefa, não só respondem pergunta, e que se beneficiam de rodar direto onde o usuário está.

O analista Ben Thompson, do Stratechery, criticou a arquitetura do chip por gastar espaço de silício em núcleos de GPU inferiores aos da nuvem, argumentando que a inteligência mais relevante ainda vai continuar centralizada, segundo sua própria análise.

A consultoria IDC também trata a aposta como condicional, ela funciona no curto prazo graças a modelos de peso aberto, mas só se sustenta no longo prazo se as empresas donas dos modelos de fronteira mudarem o próprio modelo de negócio, segundo relatório da IDC. A mesma análise lembra que o Copilot+ da Microsoft, tentativa anterior de IA local via NPU, teve resultado fraco, e poucos desenvolvedores chegaram a construir para aquele hardware.

O que fica claro é que a Nvidia está tentando redefinir onde a inteligência artificial deveria morar. Se o aposta der certo, o computador pessoal deixa de ser terminal burro dependente de servidor remoto e volta a ser onde o trabalho de verdade acontece, só que agora com um agente de IA rodando dentro dele.