O novo Google: por que a empresa está reorganizando sua estratégia de inteligência artificial

Em maio de 2026, o Google apresentou o que descreveu como a maior reformulação da busca em mais de 25 anos, segundo cobertura da CNN Brasil. O CEO Sundar Pichai chamou o momento de "era agêntica" da inteligência artificial.

A ideia central é que a IA deixe de ser assistente conversacional e passe a executar tarefas de forma autônoma em nome do usuário. Foi nesse evento que o Google apresentou o Gemini 3.5 Flash, novo modelo padrão, com desempenho superior em código e tarefas agênticas.

A nova caixa de busca reflete essa mudança, aceita cinco tipos de entrada e leva a consulta direto para o AI Mode, segundo análise técnica da Conversion. A VP de Busca, Liz Reid, descreveu isso como unir o melhor da busca tradicional com o melhor da IA.

O Google também lançou os chamados information agents, sistemas que monitoram continuamente fontes predefinidas, como notícias, redes sociais e dados de mercado, e enviam alertas sintetizados quando algo relevante muda numa categoria acompanhada pelo usuário.

O tamanho do investimento por trás disso é considerável entre US$ 180 e US$ 190 bilhões em infraestrutura de IA neste ano, incluindo novos chips TPU, segundo o mesmo relatório da CNN Brasil.

Três meses depois, em agosto, veio a segunda parte da reorganização, e essa mexeu diretamente na liderança. Demis Hassabis, ganhador do prêmio Nobel, deixou o cargo de CEO do Google DeepMind para se tornar cientista-chefe da Alphabet, segundo a Forbes Brasil.

Hassabis justificou a mudança citando a proximidade da inteligência artificial geral, a AGI, como motivo para se afastar da operação e focar em estratégia de longo prazo. Koray Kavukcuoglu assumiu o comando direto, reportando-se a Pichai e liderando o desenvolvimento do Gemini 4.

Jeff Dean, cientista-chefe havia 27 anos na empresa, junto com outros três engenheiros veteranos, deixou o Google para fundar a Discovery Loop, organização voltada a automatizar pesquisa científica com IA, tendo a Alphabet como investidora fundadora.

O mercado reagiu imediatamente à saída de Hassabis: quase US$ 190 bilhões em valor de mercado evaporaram das ações da Alphabet no período, segundo o Gate News

O texto da mesma reportagem resume o motivo: quando concorrentes evoluem mais rápido, a lentidão do Google passa a ser precificada como risco estrutural.

A camada de produto, com Gemini em toda a busca e ecossistema, e a camada de liderança, com poder mais concentrado e direto sobre o desenvolvimento do próximo modelo de fronteira, apontam para a mesma urgência: reduzir a distância para concorrentes antes que o mercado a interprete como atraso permanente.