Nubank atingiu 118 milhões de clientes com custo de aquisição 83% menor que bancos tradicionais e marketing que custa 2,1% da receita

 


Em 2013, o Nubank lançou seu cartão roxo como um produto de acesso restrito, disponível apenas por convite. Não havia campanha de lançamento, não havia verba de mídia paga em escala e não havia agência de publicidade coordenando a comunicação. O que havia era uma proposta objetiva: cartão sem anuidade com aprovação digital, atendimento via aplicativo e resposta ao cliente em menos de 45 segundos, tempo médio que a empresa mantém até hoje segundo análise da Latterly.org com base em dados públicos da companhia. A escassez do convite criou demanda. A experiência de quem usava criou distribuição. O modelo de crescimento estava embutido no produto antes de qualquer decisão de marketing.

O resultado doze anos depois está nos relatórios financeiros da empresa: 118,6 milhões de clientes em Brasil, México e Colômbia em março de 2025, crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais do Nu Holdings. No Brasil, aproximadamente 59% dos adultos são clientes do Nubank, com 30% usando a empresa como banco principal. Segundo análise da Business Model Canvas Template com base em dados públicos, cerca de 80% dos novos clientes chegam por indicação ou pelo programa Member Get Member, mantendo o custo de aquisição em torno de 7 dólares por cliente contra uma estimativa de mais de 40 dólares nos bancos tradicionais. Vale registrar que esse dado de comparação de CAC circula amplamente em análises de mercado, mas não é publicado diretamente nos relatórios oficiais do Nubank.

O que é verificável nos relatórios é o impacto no orçamento de marketing: segundo análise da Business Model Canvas Template , o investimento em vendas e marketing representou 2,1% da receita total em 2025, número que contrasta com a prática de bancos e fintechs que destinam entre 15% e 25% da receita para aquisição de clientes. A diferença não é frugalidade. É consequência de um modelo onde o produto resolve problemas reais com consistência suficiente para que o cliente queira recomendar.

O NPS do Nubank chegou a 68 em 2025, em um setor onde a média dos bancos tradicionais brasileiros oscila consistentemente abaixo de zero, segundo dados compilados pelo Business Model Canvas Template . NPS alto em serviços financeiros tem uma implicação específica: clientes satisfeitos em banco não apenas ficam, recomendam ativamente porque resolver problema financeiro com rapidez é uma experiência suficientemente marcante para ser contada. É o mesmo mecanismo que o Radar Tech documentou no artigo sobre o papel do storytelling no branding : a história mais poderosa é a que o cliente conta por conta própria porque viveu algo que valeu a pena ser compartilhado.

A personalização por dados é a camada mais recente da estratégia. Em 2025, o Nubank reportou aumento de 22% na conversão de campanhas e crescimento de 15% na receita de cross-sell em relação a 2024, atribuídos ao uso de machine learning para sugestões contextuais baseadas em comportamento de gasto, segundo a mesma análise. O cliente que viajou recentemente vê oferta de seguro viagem. O que movimentou investimentos recebe proposta de NuInvest. É o modelo que o Radar Tech detalhou no artigo sobre marketing hiperpersonalizado: a mensagem mais relevante não é a mais elaborada, é a que chega no momento certo com base no que o cliente acabou de fazer. O que o Nubank demonstrou em escala é que produto que funciona gera distribuição, distribuição gera dados e dados geram personalização que reduz ainda mais o custo de manter o cliente que já chegou por indicação.


Sobre a autora

Camila Domingues é publicitária e pesquisadora de tendências digitais. No Radar Tech, escreve sobre inteligência artificial, marketing e tecnologia com foco em aplicações práticas para quem vive e trabalha no mundo digital.

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