Em junho de 2025, a Kalshi, plataforma americana de mercado de previsões, exibiu um comercial durante as finais da NBA. O anúncio custou cerca de US$ 2 mil para ser produzido e levou dois dias entre o conceito e a versão final, segundo análise da Superside sobre campanhas de IA em 2025.
O resultado acumulou mais de 3 milhões de visualizações no X.
O caso chama atenção porque mostra uma mudança que vai além de uma campanha específica: a inteligência artificial está alterando o custo, o prazo e a estrutura da produção audiovisual para marketing.
O que mudou na produção de vídeo?
O mercado de vídeo gerado por IA atingiu US$ 18,6 bilhões em 2026, segundo dados compilados pela Ngram, partindo de US$ 5,1 bilhões em 2023.
A principal transformação está no processo de produção. Com ferramentas generativas, uma equipe pode criar roteiros, imagens, cenas e diferentes versões de um anúncio sem precisar repetir todas as etapas do modelo tradicional.

Segundo os mesmos dados, o custo médio por minuto de produção caiu de aproximadamente US$ 4.500 para US$ 400 em processos assistidos por IA, enquanto o tempo necessário para produzir um vídeo de 60 segundos passou de cerca de 13 dias para menos de uma hora.
Isso muda uma parte importante da lógica de produção: testar uma ideia ficou mais barato e mais rápido.
Como Klarna e Mondelez estão usando a tecnologia?
A Klarna declarou à Reuters que a IA generativa ajudou a reduzir seus custos de marketing em US$ 10 milhões por ano. O prazo para produção de imagens também caiu de seis semanas para sete dias, segundo relatos sobre a empresa.
A Mondelez, dona da Oreo, afirmou que espera reduzir entre 30% e 50% os custos de produção de conteúdo com ferramentas de IA generativa, especialmente em criação e publicidade.
Nos dois casos, o objetivo não é eliminar a estratégia criativa. A tecnologia atua principalmente sobre o processo entre a ideia e o material final.
O que a IA ainda não resolve?
A principal limitação da produção audiovisual com IA continua sendo a direção criativa.
Um vídeo pode ser tecnicamente bem produzido e ainda assim não ter uma boa ideia, uma mensagem clara ou conexão com o público. A tecnologia acelera a execução, mas não determina sozinha o que merece ser produzido.
O relatório da Wyzowl de 2026 identificou que 71% dos criadores utilizam IA para primeiros rascunhos e depois fazem ajustes manualmente.
O modelo que ganha espaço, portanto, não é simplesmente substituir pessoas por ferramentas. É usar IA para acelerar etapas operacionais e reservar o julgamento humano para estratégia, direção e refinamento.
Como no storytelling, a tecnologia amplifica a direção que recebe. Uma ideia ruim produzida mais rápido continua sendo uma ideia ruim — apenas chega ao público antes.