A marca transformou o resultado em campanha, usando o experimento para sustentar a ideia de que ketchup é associado à Heinz. O case foi premiado no Cannes Lions 2023 e mostrou uma aplicação diferente da inteligência artificial: usar a tecnologia para descobrir uma história antes de usá-la para produzir conteúdo.
O que muda com a IA generativa?
O uso mais estratégico da IA generativa não está apenas na redução do tempo de produção. A tecnologia permite testar diferentes narrativas, formatos e abordagens em uma velocidade que equipes humanas dificilmente conseguiriam sozinhas.

Um relatório da McKinsey de 2024 sobre IA generativa no marketing identificou que empresas que integraram a tecnologia à criação de conteúdo reduziram custos de produção em até 70%, mantendo métricas de engajamento semelhantes.
O ponto mais relevante, porém, está na forma de utilização. Marcas com melhores resultados não necessariamente usam IA para substituir equipes criativas, mas para aumentar a quantidade de testes antes de decidir qual ideia merece investimento.
Essa lógica também se aplica aos vídeos curtos. É possível criar diferentes versões de uma abertura, testar quais conseguem prender a atenção nos primeiros segundos e utilizar os resultados para orientar a produção.
Dois exemplos de uso em escala
A Coca-Cola utilizou IA generativa na campanha "Real Magic Holiday", em 2024, combinando produção automatizada com direção criativa humana. A tecnologia permitiu adaptar materiais para diferentes mercados e ampliar a escala de produção.
No e-commerce, o uso acontece de forma mais cotidiana. Marcas podem gerar diferentes versões de descrições de produtos, e-mails e criativos publicitários a partir de um mesmo briefing.
É o mesmo princípio do caso Heinz aplicado à operação diária: a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de criação e passa a funcionar como uma camada de produção capaz de alimentar diferentes canais com mais velocidade.
O que a IA ainda não resolve?
A principal limitação da IA generativa no storytelling não é técnica, mas estratégica.
Modelos generativos conseguem executar um direcionamento com eficiência, mas não determinam sozinhos qual história realmente faz sentido para uma marca. Um briefing genérico pode produzir conteúdo genérico em grande escala, tornando o problema maior em vez de resolvê-lo.
A criatividade humana continua sendo importante justamente nessa etapa: definir posicionamento, contexto, intenção e o que a marca tem de relevante para contar.
A IA pode acelerar a produção e ampliar os testes. Mas ainda é a estratégia que determina se existe uma história que vale a pena contar.