Receita publicitária no streaming americano dobrou em dois anos e chegou a 34 bilhões de dólares em 2025

Em janeiro de 2024, a Amazon Prime Video começou a exibir anúncios no plano básico nos Estados Unidos sem aumentar o preço. Apenas 10% dos assinantes optaram por pagar mais para remover a publicidade. Os demais permaneceram no plano com anúncios, criando uma das maiores audiências publicitárias do streaming americano.

Segundo dados da Digital i publicados em 2026, a plataforma alcançou 130 milhões de espectadores mensais em planos com anúncios nos Estados Unidos.

O movimento reforçou uma tendência que já vinha ganhando força: o consumidor aceita publicidade no streaming quando o preço e o conteúdo oferecido compensam a presença dos anúncios.

A receita publicitária do streaming americano chegou a US$ 34 bilhões em 2025, mais que o dobro dos US$ 15,7 bilhões registrados dois anos antes, segundo análise citada pelo eMarketer. No mesmo período, a TV linear registrou queda de 7% na receita publicitária.

Planos com anúncios ganham espaço

A expansão não ficou restrita à Amazon. A Netflix também ampliou sua operação com publicidade, enquanto outras plataformas passaram a oferecer planos mais baratos financiados por anúncios.

O modelo cria uma nova fonte de receita para os serviços: o consumidor paga pela assinatura e a plataforma também monetiza sua audiência com publicidade.

O comportamento dos espectadores ajuda a explicar o interesse dos anunciantes. Em 2025, 56% dos usuários de plataformas com anúncios afirmaram ter pesquisado produtos vistos em comerciais de streaming, segundo dados da Señal News.

Entre assinantes de planos com publicidade, esse percentual chegou a 63%, indicando uma relação mais direta entre exposição ao anúncio e pesquisa sobre o produto.

O que muda para o anunciante?

A principal diferença em relação à televisão tradicional está nos dados.

Na TV linear, a compra de mídia costuma partir de estimativas de audiência e características demográficas. No streaming, as plataformas conseguem utilizar dados de consumo de conteúdo e comportamento dentro do próprio serviço para segmentar campanhas.

A publicidade programática também ganhou espaço. Segundo a Adwave, aproximadamente 84% da publicidade em streaming nos Estados Unidos já é comprada de forma programática.

Isso permite que a compra de mídia seja automatizada e ajustada de acordo com os resultados obtidos pela campanha.

Menos anúncios, mais atenção?

Outro diferencial está na quantidade de publicidade exibida.

Plataformas de streaming costumam trabalhar com uma carga de anúncios menor do que a televisão linear, criando intervalos mais curtos. Para o espectador, isso pode significar menos interrupções. Para o anunciante, pode representar um ambiente menos saturado.

A combinação de segmentação, dados e menor carga publicitária ajuda a explicar por que o streaming se tornou um concorrente cada vez mais relevante da televisão tradicional.

Ainda assim, a TV linear mantém uma vantagem importante: grandes eventos ao vivo, especialmente esportes. Super Bowl, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos continuam concentrando audiências simultâneas que as plataformas de streaming disputam justamente por seu valor publicitário.

O cenário, portanto, não representa simplesmente o fim da televisão. A publicidade está migrando para onde a audiência está e, cada vez mais, esse lugar é o streaming.