Existe uma contradição nos dados sobre marketing de influência que vale muito mais que qualquer estatística isolada.
Uma pesquisa da Youpix em parceria com a Nielsen, com consumidores brasileiros, encontrou que 80% já compraram algum produto recomendado por um influenciador, segundo reportagem da Exame sobre o levantamento.
Já uma pesquisa mais recente, feita pela CNDL e pelo SPC Brasil em parceria com a Offerwise, encontrou que apenas 5% dos consumidores dizem comprar por recomendação direta de um influenciador, segundo o Varejo S.A.
Os dois números medem coisas diferentes, e essa diferença é a própria explicação psicológica de como a recomendação funciona.
O primeiro dado mede se a pessoa já comprou algo depois de ver um influenciador recomendar.
O segundo mede o que a pessoa aponta conscientemente como motivo da compra.
A distância entre os dois números mostra que a influência raramente age como argumento final e decisivo, ela age antes disso, moldando desejo e consideração muito antes da decisão consciente de compra acontecer.
Como resume a CEO da Youpix, Rafaela Lotto, a influência tem um poder de somar contexto à mensagem que nenhum outro formato de comunicação consegue igualar, segundo entrevista sobre o estudo, isso explica por que especialização pesa mais que fama.
A mesma pesquisa mostrou que 52% dos consumidores se sentem mais inclinados a comprar quando o produto é indicado por um perfil de referência num assunto específico, e que influenciadores entre 10 mil e 1 milhão de seguidores geram mais confiança do que celebridades.
O mecanismo por trás disso é conhecido em psicologia como relação parassocial: o seguidor sente que conhece aquela pessoa, mesmo sem contato real, e trata a recomendação como viria de um amigo com conhecimento de causa, não de uma propaganda.
Uma análise recente sobre o tema resume essa mudança como a preferência pela experiência de "alguém igual a mim" em vez de alguém que vive de recomendar produtos, segundo o Varejo S.A.
71% dos consumidores dizem estar cansados de excesso de publicidade feita por influenciadores, e 27% se incomodam diretamente com esse volume, conforme o mesmo levantamento da Youpix.
O que isso significa na prática é que o influenciador não vende sozinho, ele reduz a distância entre o produto e a confiança que a pessoa já tinha em alguém, o mesmo tipo de conexão que qualquer narrativa de marca bem construída tenta gerar.
Quando essa confiança é real, a compra acontece mesmo sem o consumidor admitir, nem para si mesmo, que foi por causa daquele vídeo específico que assistiu na semana anterior.