Chatbots geraram 142 bilhões de dólares em vendas em 2024 e a maioria das empresas ainda usa o formato errado

Em 2025, chatbots deixaram de ser apenas ferramentas de atendimento e passaram a participar diretamente do processo de compra. Em vez de responder dúvidas básicas, sistemas integrados a plataformas de comércio eletrônico já conseguem recomendar produtos, recuperar carrinhos e conduzir o consumidor até a finalização do pedido.

O movimento acompanha a evolução dos modelos de inteligência artificial generativa. Antes, os chatbots funcionavam principalmente por fluxos pré-programados: o usuário escolhia uma opção e seguia por caminhos definidos pela empresa. Perguntas fora do roteiro geralmente terminavam em uma transferência para o atendimento humano.

Os sistemas passaram a interpretar perguntas em linguagem natural, considerar o contexto da conversa e adaptar as respostas de acordo com as informações fornecidas pelo consumidor.

O Juniper Research estimou que chatbots movimentaram US$ 142 bilhões em transações de e-commerce em 2024, um crescimento expressivo em relação aos US$ 2 bilhões registrados em 2019.

Do atendimento ao funil de vendas

A principal mudança não está apenas na capacidade de conversar, mas no lugar que o chatbot passou a ocupar dentro da jornada de compra.

Um consumidor pode entrar em contato para tirar uma dúvida sobre determinado produto e, durante a conversa, informar orçamento, preferências e necessidades. A partir dessas informações, o sistema pode apresentar opções, comparar características e direcionar para a compra.

Esse modelo transforma o atendimento em uma extensão do funil de vendas. A conversa deixa de acontecer depois da decisão de compra e passa a influenciar a própria decisão.

No WhatsApp, essa integração ganhou ainda mais espaço. Catálogos, links de pagamento, recuperação de carrinho e mensagens personalizadas podem ser reunidos em uma mesma jornada, reduzindo a necessidade de o consumidor alternar entre diferentes canais.

O caso da Magazine Luiza

A Magazine Luiza é um dos exemplos brasileiros da integração entre conversação e comércio eletrônico. A empresa utiliza o WhatsApp em diferentes etapas do relacionamento com consumidores, incluindo divulgação de produtos, atendimento e comunicação comercial.

O modelo mostra uma mudança importante: o chatbot não precisa substituir completamente o vendedor para alterar o processo de compra. Ele pode assumir etapas específicas, identificar a intenção do consumidor e encaminhá-lo para a próxima ação.

O limite continua sendo o atendimento humano

A automação, porém, não elimina a necessidade de pessoas. Um dos principais problemas dos chatbots continua sendo a dificuldade de reconhecer quando uma situação exige intervenção humana.

Quando o sistema não entende a solicitação e também não oferece uma transferência simples para um atendente, a experiência tende a piorar. Nesse cenário, insistir na automação pode gerar mais frustração do que resolver o problema.

O chatbot que ganha espaço no e-commerce não é necessariamente aquele que conversa sobre qualquer assunto. É o que consegue entender a intenção do consumidor, ajudar na decisão e reconhecer o momento certo de passar o atendimento para uma pessoa.